152 anos de Doutrina Espírita


Amigos, no dia de hoje relembramos aquele que pode ser considerado o dia em que a Doutrina Espírita estava oficialmente lançada, visto que no dia 18 de Abril de 1857, Allan Kardec publicava a primeira edição do Livro dos Espíritos. Há 152 anos, portanto.


O Livro dos Espíritos foi o primeiro livro, organizado por Kardec, contendo os ensinamentos dos Espíritos Superiores, englobando a parte filosófica da Doutrina Espírita. Logo após surgiram outros livros: O Livro dos Médiuns, lançado em Janeiro de 1861, contendo ensinos relativos à parte experimental e científica da doutrina; O Evangelho Segundo o Espiritismo, lançado em Abril de 1864, concernente à parte moral da doutrina, baseado nos ensinamentos de Jesus; O Céu e o Inferno, lançado em Agosto de 1865 e A Gênese, lançado em Janeiro de 1868. Kardec trabalhou ainda em outras obras, com especial destaque para a Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, com periodicidade mensal, que circulou entre 1858 e 1869 e podem ser encontrados hoje em formato de livros, editados pela FEB.


Trago aqui alguns trechos do belíssimo discurso realizado por Camille Flammarion no dia do enterro de Allan Kardec, no qual ele conta um pouquinho dessa história, e que eu considero um ótimo texto para comemorar esse dia. Vamos aproveitar para refletir sobre os rumos que estamos dando ao Espiritismo nos dias de hoje. Para quem quiser ler o discurso na íntegra, o mesmo está disponível no livro Obras Póstumas. Espero que gostem.


Aproveito para convidar os amigos leitores desse blog a parar por um momento, elevar seus pensamentos a Jesus e agradecer a todos os Espíritos de luz que colaboraram e colaboram ainda hoje na elaboração, propagação e prática dos ensinamentos dessa doutrina que tanto nos esclarece e consola. Que Jesus continue iluminando a todos.


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Morto na idade de 65 anos, Allan Kardec consagrara a primeira parte de sua vida a escrever obras clássicas, elementares, destinadas, sobretudo, ao uso dos educadores da mocidade. Quando, pelo ano de 1855, as manifestações, novas na aparência, das mesas girantes, das pancadas sem causa ostensiva, dos movimentos insólitos de objetos e móveis começaram a prender a atenção pública, determinando mesmo, nos de imaginação aventureira, uma espécie de febre, devida à novidade de tais experiências, Allan Kardec, estudando ao mesmo tempo o magnetismo e seus singulares efeitos, acompanhou com a maior paciência e clarividência judiciosa as experimentações e as tentativas numerosas que então se faziam em Paris.


Recolheu e pôs em ordem os resultados conseguidos dessa longa observação e com eles compôs o corpo de doutrina que publicou em 1857, na primeira edição de O Livro dos Espíritos. Todos sabeis que êxito alcançou essa obra, na França e no estrangeiro.


Depois dessa primeira obra apareceram, sucessivamente, O Livro dos Médiuns, ou Espiritismo experimental; O que é o Espiritismo? ou resumo sob a forma de perguntas e respostas; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno; A Gênese.


Quantos corações já foram consolados por esta crença religiosa! Quantas lágrimas hão secado! Quantas consciências se abriram às irradiações da beleza espiritual! Nem toda a gente é ditosa neste mundo. Muitas afeições aí são despedaçadas! Muitas almas têm adormecido no cepticismo! Então, nada é o haver trazido ao espiritualismo tantos seres que flutuavam na dúvida e que já não amavam a vida, nem a vida física, nem a intelectual?


A maioria dos que se têm dado a estes estudos lembram-se de que na mocidade, ou em certas circunstâncias, foram testemunhas de manifestações inexplicadas. Poucas são as famílias que não contem na sua história provas desta natureza. O ponto de partida era aplicar-lhes a razão firme do simples bom-senso e examiná-las segundo os princípios do método positivo.


Conforme o seu próprio organizador previu, esse estudo, que foi lento e difícil, tem que entrar agora num período científico. Os fenômenos físicos, sobre os quais a princípio não se insistia, hão de tornar-se objeto da crítica experimental, a que devemos a glória dos progressos modernos e as maravilhas da eletricidade e do vapor. Esse método tem de tomar os fenômenos de ordem misteriosa a que assistimos para os dissecar, medir e definir.


Porque, meus Senhores, o Espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o abecê. Passou o tempo dos dogmas. A Natureza abrange o Universo, e o próprio Deus, feito outrora à imagem do homem, a moderna Metafísica não o pode considerar senão como um espírito na Natureza. O sobrenatural não existe. As manifestações obtidas com o auxílio dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural e devem ser severamente submetidas à verificação da experiência. Não há milagres. Assistimos ao alvorecer de uma ciência desconhecida. Quem poderá prever a que consequências conduzirá, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta nova psicologia?


Que os que têm a vista restringida pelo orgulho ou pelo preconceito não compreendam absolutamente os anseios de nossas mentes ávidas de conhecer e lancem sobre este gênero de estudos seus sarcasmos ou anátemas, pouco importa. Colocamos mais alto as nossas contemplações!...”


Por: Camille Flammarion

In: Obras Póstumas


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As brochuras, os jornais, os livros, as publicações de toda a espécie são meios poderosos de introduzir a luz por toda a parte, mas o mais seguro, o mais íntimo e o mais accessível a todos é o exemplo da caridade, a doçura e o amor”.

Allan Kardec